A hora da verdade

A fase de classificação do Paulista-14 chegou ao seu momento final. Após 11 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota (em um jogo marcado por diversos desfalques e falhas individuais), entramos na última rodada com a melhor campanha da fase de classificação e teremos nosso terceiro teste de fogo no campeonato, contra o Santos, que possui a segunda melhor campanha e o melhor ataque da competição.

Especificamente falando, esse jogo contra o Santos define apenas o primeiro colocado geral na fase de classificação. Como estamos dois pontos à frente, temos a vantagem do empate, mas como teremos o time completo, queremos a vitória e um bom desempenho – mesmo não sendo garantia de nada na hora do mata-mata.

Mas o que importa mesmo são os jogos decisivos e durante a semana que está chegando (ainda sem data e horários definidos) teremos o primeiro duelo decisivo, contra Bragantino ou Rio Claro. E aqui a história começa a ganhar contornos completamente diferentes do que vimos até então, não é mais um jogo onde o técnico pode poupar energias para o jogo seguinte visando o próximo embate, onde em momentos do prélio o time era mais permissivo com o adversário – contra a Lusa foi assim, perdemos a chance de matar o jogo e o nome do jogo foi Fernando Prass. 

Apesar de termos mais de 13 pontos de vantagem para o segundo colocado do nosso grupo, isso acaba sendo completamente esquecido no mata-mata se o time não entrar com a intensidade e a seriedade que a partida exige. Jogaremos em casa nesse primeiro jogo (e também nas semifinais, caso concretizemos a vitória) e com o apoio da torcida, o que será um combustível a mais nessa caminhada rumo ao título. 

Como esse campeonato está com o calendário espremido, caso avancemos para as semifinais, essas se passarão já no próximo fim de semana e há a possibilidade de termos um choque-rei. Caso passemos (é obrigação passar de Bragantino ou Rio Claro, que isso fique cristalino) e venha o time do Jd. Leonor, tudo o que pedimos é que entrem com o mesmo espírito de guerra que entraram no jogo da fase de classificação e com uma dose extra de foco, já que estamos falando de jogos eliminatórios. Se vier o Botafogo-SP, que o time observe bem onde errou no jogo de classificação que nos custou a primeira (e até então única) derrota do ano e explore sem dó os pontos fracos do time de Ribeirão Preto.

Por fim, o provável finalista será o Santos. Embora queremos a vitória, o jogo de amanhã não pode ser considerado um parâmetro para os jogos derradeiros em caso de nos encontrarmos novamente. 

Gilson Kleina, essa é a hora da verdade, esse é o momento em que você deve começar a ganhar seus primeiros jogos eliminatórios pelo Palmeiras em quase 2 anos que você está por aqui. Deixaremos de lado o jeito ridículo que o time se portou em todas as outras decisões comandadas pelo senhor e focaremos no que virá pela frente a partir de agora. Essa é a hora em que separamos os meninos dos homens e os fracos dos fortes. Você tem 4 jogos para provar que é merecedor de estar na casamata alviverde e estamos torcendo para que você seja o grande comandante do primeiro título do novo século de nossas vidas.

A ansiedade para o primeiro jogo decisivo já é alta. Para se ter uma ideia, mesmo sem data e adversário definido, a torcida já vem comprando ingressos para a partida, demonstrando uma prova de amor ímpar – não lembro de nenhum precedente sobre compra de ingressos para jogos contra adversários que sequer conhecemos e sem saber dias e horários.

E que venham as primeiras decisões do centenário, seja lá quem for entrar em campo: honrem nossa camisa e nossa história. 

Avanti Palestra!

Está nas suas mãos, faça esse time voar nas decisões.
Foto: Reginaldo Castro/Gazetapress

Checkpoints

O regulamento do Paulista dessa temporada é estranho e permite situações absurdas como a de domingo, onde uma derrota nossa prejudicou nosso principal rival – o que não deve ser nenhum conforto, nenhuma derrota do Palmeiras é boa. Ao mesmo tempo, o regulamento permitiu com que jogássemos contra times de grupos distintos e criou uma espécie de checkpoint a cada cinco partidas. 

Disputados 2/3 da fase inicial, estamos em segundo na classificação geral, atrás do Santos apenas pelo critério de saldo de gols. Cabe à análise de como o time se portou e a expectativa de como iremos desempenhar nos cinco jogos finais.

Checkpoint 1 – Da 1ª à 5ª rodada.
Devido ao curto tempo que os times tiveram para realizar a pré-temporada, vimos um Palmeiras remendado nos dois primeiros jogos, com jogadores que seriam as opções finais entrando como titulares. Mesmo assim, a postura do time era diferente do que tínhamos visto na irritante reta final da Série B do ano passado. O Palmeiras passou a pressionar o time no campo de ataque e Kleina soube usar a maioria das peças que tinha em mãos – exceção feita ao Mazinho, que sepultava a maioria dos ataques.

A vitória contra a Linense na estreia e de virada mostrou que o time, mesmo remendado e sem ritmo, poderia render bem na medida em que os titulares iam entrando. Os jogos seguintes tiveram o encaixe de alguns titulares como Valdivia, Leandro, Lucio e Wellington, que entrou no lugar de Henrique (vendido ao Napoli). E deu certo. Contra Comercial e Penapolense não tomamos gols e contra o Atlético Sorocaba tivemos um ataque operante. 

O grande teste da primeira fase era o clássico contra o SPFC e ali o Palmeiras fez o melhor jogo até então no campeonato. Kleina armou o time postado no ataque e não deixou os comandados de Muricy respirarem. 2 x 0 ficou barato e terminamos o primeiro terço de campeonato com a moral nas estrelas e sabendo que ainda teríamos jogadores para estrearem.

Pontos positivos do primeiro terço:
- A mudança de postura do time. Passou a jogar de forma ofensiva e sufocando o adversário no campo de defesa;
- Peças que saiam do banco e melhoraram o nível do time. 

Pontos negativos do primeiro terço:
- A insistência em Mazinho foi sem explicação. O único jogo que ele foi fundamental foi contra a Linense. Nos outros jogos, foi o pior em campo;
- Apesar do bom início do sistema defensivo. Saímos atrás do placar por duas ocasiões, mas felizmente conseguimos reverter.

Pontos: 15 em 15 disputados.

Melhor momento do campeonato: 5ª rodada, no jogo contra os inimigos leonores.

Checkpoint 2 – Da 6ª à 10ª rodada.
Mesmo com alguns defeitos latentes, o time entrou com moral para encarar os adversários do grupo B. O primeiro confronto foi contra o XV de Piracicaba e a sensação foi que de conseguimos os 3 pontos com muita sorte  - a vitória passou pelos jogadores do banco de reservas, mas o time não foi tão contundente quanto em jornadas anteriores. 

O 100% de aproveitamento foi embora em uma de nossas melhores partidas, contra o Audax, tarde em que o goleiro adversário estava inspirado e que eles aproveitaram uma pane de nossa defesa para sair na frente. Novamente, a reação do time passou pelo banco de reservas com o gol de Mendieta. Por pouco não vencemos a partida (Kardec perdeu o pênalti duvidoso que deram), mas a postura agradou a todos e o time saiu aplaudido do Pacaembu. 

E veio o segundo clássico. O dérbi contra o SCCP, nossos maiores rivais, uma guerra particular. Sabemos que em dérbis não há favoritos, mas a imprensa e parte da torcida estavam confiantes em um bom resultado. E com motivos, afinal, eles estavam em crise e com uma sequência de derrotas e nós estávamos em alta, jogando bem e convencendo. Mas em campo vimos justamente o contrário, parecia que eles é que estavam em boa fase. Gilson Kleina entrou com o time estranhamente acuado e aceitou a pressão imposta pelo treinador-enganador deles. O destaque da partida foi Fernando Prass, que operou milagres e evitou a derrota. Novamente, o time saiu atrás.

A preocupação finalmente começou. O time insinuante e agressivo do primeiro terço de campeonato deu espaço a um time hesitante e sem alternativas táticas para se mudar durante a partida sem queimar substituições. Os desfalques também começaram a surgir, seja por suspensão ou por contusões, o que fez Kleina promover novos jogadores como titulares. 

Contra o Ituano, novamente o Palmeiras fez uma partida abaixo da média, mas garantiu os 3 pontos graças a boa presença de área de Alan Kardec. Porém, no jogo seguinte tivemos a primeira derrota. Mesmo com Kleina promovendo uma escalação interessante, o time em campo se mostrou completamente perdido – sem contar as falhas individuais de William Matheus, que fez uma partida que remeteu aos piores momentos de Juninho em 2012. E fechamos o segundo terço da primeira fase com o sinal amarelo.

Pontos positivos do segundo terço:
- Ascensão de França. Vem mostrando ser uma bela contratação, que sabe fechar os espaços e ainda sabe sair para o jogo com alguma qualidade. 

Pontos negativos do segundo terço:
- Em 5 jogos, o time saiu atrás no placar por 3 ocasiões. Em nenhuma vencemos (dois empates e a derrota no último domingo). Kleina precisa fazer com que o time entre focado nos 90 minutos, o time tem entrado bem desligado;
- Desfalques. Nos últimos jogos perdemos diversos jogadores por contusão e suspensão e isso gerou certo desentrosamento com as peças que deveriam substituir. O jogo de domingo mostrou isso;
- Queda de rendimento de peças importantes. Leandro, Wesley e mesmo Valdivia não renderam como nas jornadas iniciais;
- Falta de variações táticas de Kleina e a passividade que o time mostrou em campo em muitos desses jogos, virando o fio do primeiro terço de campeonato e levando o treinador a uma estaca zero. Se antes merecia justos elogios, hoje diria que está zerado e tem que remar tudo de novo.

Pontos: 8 em 15 disputados.

Checkpoint 3 – Da 11ª à 15ª rodada.
E chegamos à reta final da primeira fase, onde enfrentaremos os adversários do grupo C. O adversário mais forte, claro, é o Santos. O jogo é o último da fase de classificação e provavelmente será o jogo que definirá o primeiro colocado geral, que tem a vantagem de jogar em casa até a final, seja lá qual for o adversário – sem contar que o time deles, dentre os 3 rivais, é o que mostrou mais consistência até o momento. Será um duelo interessante em nossa casa de praia.

São Bernardo também é um adversário chato e amanhã veremos como o Palmeiras se porta contra eles jogando em casa. Portuguesa, Ponte Preta e o fraquíssimo Paulista completam o grupo.

Com 7 pontos de vantagem em relação ao vice-líder do grupo (Bragantino), a tendência é nos classificarmos em primeiro com antecedência. Mas o Palmeiras precisa retomar a consistência mostrada nos jogos iniciais para entrar com confiança no mata-mata, o que vimos nas últimas rodadas foi um tanto quanto preocupante.

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- A expectativa (ou melhor, torcida) é que Kleina acerte uma escalação e um esquema tático decente nesses cinco jogos que restam e retomemos a rota traçada nos jogos iniciais. Após 6 partidas dignas de um treinador de ponta, ele armou o time com a mesma destreza de um estagiário nos jogos seguintes, lembrando aquele time titubeante de 2013, que não conseguia se impor contra Icasas da vida.

- Saímos atrás do placar em metade dos jogos e só revertemos o placar em dois deles. Precisamos que o time entre ligado nos 90 minutos, como fizemos contra os inimigos do Jd. Leonor. Em mata-mata, sair atrás pode ser fatal. Só lembrar que saímos atrás em todos os jogos decisivos que o Kleina fez (Milionários, Santos, Tijuana e CAP) e não revertemos nenhum deles. Hora de mudar isso.

- Queremos o título, é o mínimo que exigimos. E nós torcedores merecemos.

Cartas na manga e mudança de postura.

Por ser início de temporada, talvez seja muito cedo para falar que hoje somos favoritos aos títulos, ainda mais se levarmos em consideração o histórico de largadas em anos anteriores, que definitivamente nos deixou mais escolados e cautelosos. Mas esse início de ano alviverde com seis vitórias consecutivas, quase todas de maneira convincente – especialmente no clássico contra o SPFC no último domingo - deu um novo ânimo para todos os palmeirenses do mundo, especialmente após temporadas tão ruins como foram as anteriores. 

Mas o que temos de diferente em relação ao time que finalizou a temporada de 2013 de maneira burocrática e que não se impunha em relação ao adversário? Novas cartas na manga dentro do elenco e que podem mudar o panorama de uma partida com diferentes variações táticas durante o jogo e uma nova postura, a mais agressiva desde o time do primeiro semestre de 2008, uma postura que não tínhamos visto com o então treinador Gilson Kleina. Isso sem contar a própria atmosfera do Palmeiras, que ficou positiva. Hoje até a mesmo a imprensa, uma inimiga ferrenha, passou a nos tratar com mais respeito.

Vamos aprofundar esses dois primeiros itens que fazem parte do tema central da postagem.

As cartas na manga:
Se durante a Série B perdíamos muito em qualidade com a ausência de jogadores no elenco, nesse início de ano vimos por mais de uma vez a solução de uma partida sair do banco de reservas. Contra o Atlético de Sorocaba e Penapolense, vimos a entrada de Marquinhos Gabriel ser decisiva para que o Palmeiras obtivesse os três pontos. Contra o XV de Piracicaba, o gol da vitória passou pelos pés de dois substitutos: Mendieta e França – sendo que este entrou para segurar a pressão do time da casa, obteve êxito na tarefa e ainda surgiu como elemento surpresa no ataque. 

Pela primeira vez em anos temos opções para realizar mudanças de panoramas na partida e mesmo mudar a escalação antes de um jogo antes que o time fique manjado pelo oponente. E ainda temos jogadores para estrear, como Victorino, Bruno Cesar, Gabriel Dias, Patrick Vieira, Rodolfo e mesmo William Matheus, que jogou apenas 20 minutos contra o Comercial. Josimar, volante que veio do Inter, é outro que chegou para ser opção de segundo volante na reserva de Wesley e apesar de parte da torcida ter um pé atrás com ele pela não vinda em 2013 (inclusive este que vos escreve), soa como um backup interessante.

A lateral direita ainda precisa de ajustes – por mais que Wendel tenha feito partidas acima da média, ainda temos o medo de que esse bom momento dele seja efêmero – e o ataque continua sem substitutos para Alan Kardec caso precisemos (a outra opção de atacante fixo no elenco se chama Miguel). 

Com essa nova gama de jogadores, as opções consideradas “intragáveis” que sobreviveram ao facão do ano passado e que ainda estão no elenco, já não são mais tão utilizadas. Felipe Menezes entrou em apenas duas partidas, Vinicius em apenas uma e Serginho perdeu espaço após duas partidas como titular. 

Vale também a observação que em nenhum desses momentos o Palmeiras entrou com força máxima, nem mesmo no clássico contra o SPFC. Mas mesmo que o Palmeiras use seu poder de fogo por completo em sua escalação titular, ainda é possível vislumbrar essas cartas na manga que são capazes de mudar a partida.

Mudança de postura:
O Palmeiras está mais agressivo, algo que cobrávamos antes mesmo do campeonato começar. Por mais que o time não tenha jogado com sua força máxima, é possível observar que a postura do time mudou e isso ficou acentuado em algumas partidas, como contra Penapolense e SPFC, onde o time fez algo que não fazia há anos: marcar a saída de bola do adversário, sufocando o oponente já no campo de defesa e tirando as chances de ataque e pegando o oponente com a defesa desarrumada.

Essa pressão no campo de ataque permite com que a dupla de volantes fique mais sólida (exceção feita ao jogo de quarta, onde Wesley dormiu em campo) e consequentemente a defesa não tome tantos sustos. Com isso, hoje temos a melhor defesa do campeonato com apenas três gols sofridos (sendo que dois deles foram da famosa síndrome de “ex-palmeirense marca contra”, embora isso não tenha relação alguma com táticas). 

Outro ponto importante está em como o time se porta com a bola nos pés. Hoje também é possível ver que o time evita as ligações diretas e trabalha melhor a bola, procurando sempre o companheiro melhor posicionado e priorizando as tabelas. Se antes tínhamos um irritante festival de chutões a esmo e chuveirinhos desnecessários que invariavelmente terminavam com o zagueiro rechaçando a bola, hoje isso foi reduzido a quase zero. 


Essa mudança de postura do time e a obediência tática dos jogadores são méritos de Gilson Kleina. Com exceção dos jogos contra Comercial (onde o time dormiu no segundo tempo) e XV de Piracicaba, o treinador foi muito bem na proposta do time e nas alterações durante a partida, sobretudo no último domingo ao trucar Muricy com um casal Zap e Copas – tomaram um baile e 2 x 0 ficou muito barato.

Já o critiquei muito durante 2013, mas nesses jogos iniciais ele vem fazendo por merecer uma trégua e até elogios. Sim, ele ainda insiste com peças que todos sabem que não funciona (Mazinho não mostra nada que o credencie a titularidade absoluta) e por vezes demora em realizar a alteração – quarta foi por pouco. Às vezes fico com a impressão de que ele está escondendo o jogo para os jogos mais difíceis, clássicos e fases decisivas. Não tem como saber, mas que esse início de ano com seis vitórias e com o time convencendo está animador, isso está.

Claro, ele ainda tem muito que provar. O próximo teste de fogo é um dérbi (jogo que não vencemos desde agosto de 2011) e por mais que a fase de nossos rivais esteja ruim, ainda é um jogo que devemos entrar com muita seriedade, ainda mais porque não os vencemos no Pacaembu há muito tempo. E tem também as fases decisivas – todas que ele disputou com o Palmeiras até o momento foram tremendos fiascos. Mas dessa vez ele tem peças bem melhores do que as disponíveis em jornadas anteriores e parece que ele está mais calculista, algo imprescindível para treinadores.

Kleina, a faca e o queijo estão em suas mãos. Começou bem e vem merecendo elogios, termine de maneira excelente e será eterno.

Kleinismo surtindo efeito?
Foto: Reginaldo Castro / Gazeta Press

Linha atacante de raça, é hora de pressionar a saída de bola

Na postagem anterior abordamos as opções para possíveis esquemas táticos do nosso astuto treinador Gilson Kleina. Se tudo ocorrer do jeito lógico (e não com o 4-3-3 treinado que vem sendo noticiado), o meio de campo será formado no losango 1-2-1 e com dois atacantes na linha de frente. 

Uma qualidade que Gilson Kleina não conseguiu imprimir nesse tempo que ele está no Palmeiras é a forte marcação na saída de bola, que não dá espaço para a defesa do time adversário sair jogando e os forçando a tentar ligações diretas. Os motivos são vários: time a beira de um ataque de nervos em 2012, elenco desfigurado durante boa parte de 2013 e a própria incapacidade do treinador em instalar a mentalidade de adiantar a marcação visando pressionar a saída de bola do oponente. O resultado foi que em muitos jogos tomamos sufoco de times pequenos, especialmente porque a capacidade de marcação dos volantes que deveriam travar o jogo no meio de campo (geralmente Marcio Araújo e Charles) era reduzida. 

Com um primeiro volante com maior capacidade de marcação (Eguren) e o Wesley fazendo um papel polivalente no meio de campo trabalhando como elemento surpresa, cabe a Kleina mudar a mentalidade dos jogadores de frente para que pressionem a saída de bola dos adversários e facilitem o trabalho da defesa. Se formos analisar as características individuais de cada jogador da linha ofensiva, a tarefa é mais difícil. Sinuca de bico para Seo Kleina resolver. Vamos às análises:

Alan Kardec: De longe é o jogador mais voluntarioso da linha de frente. Volta para marcar e ataca com vigor, mas por muitas vezes se sacrifica sozinho na marcação e se perde no posicionamento dentro da área graças às suas voltas para defesa em meio aos sacrifícios. Inteligência tática ele tem, mas é mal utilizada.

Leandro: Tem vontade e geralmente volta para marcar, mas falta inteligência na marcação, cometendo muitas faltas bestas e algumas até violentas. A quantidade de cartões recebidos durante a Série B ilustra essa falta de dosagem na marcação. Foi o jogador mais indisciplinado do Palmeiras na temporada passada e tem que domar essa sede ao pote.

Vinicius: Por ter um porte físico mais forte, sua capacidade de marcação aumenta, mas geralmente não sabe o que fazer com a bola quando a recupera. É um problema, mas fica a esperança de que ele seja a última opção do elenco para essa temporada – ou seja vendido de vez.

Valdivia: O Palmeiras de 2008 tinha a característica de pressionar a saída de bola e Valdivia era parte importante desse processo, já que na época ele era mais novo e tinha o físico em alta. Mas em 2014 ele não tem capacidade física nem para jogar metade das partidas, quiçá para realizar uma blitz no campo de defesa inimigo. Vamos observar como o chileno se porta nas primeiras partidas, mas provavelmente será o único que não marcará no ataque - em metade dos jogos.

Mendieta: No pouco que jogou, mostrou que tem raça e morde o adversário na defesa se for preciso, mas em muitas ocasiões foi engolido pelo sistema ultradefensivo montado por Gilson Kleina. Se entrar como titular, pode ser muitíssimo útil em uma eventual pressão em campos de defesas inimigos.

Patrick Vieira: Ele é rápido e nos jogos que estivemos desfigurados, ele mostrou alguma qualidade de marcação em meio de tanta bagunça. Com o elenco completo e esquema tático definido, ainda não foi observado.

Felipe Menezes: Lento para atacar e lento para defender. Já o vimos perder na corrida para muitos oponentes, logo, não serve. 

Mazinho: Não tinha o hábito de marcar a saída de bola na época do Felipão. Veremos como se sai. 

Os que chegaram agora aparentam serem obedientes taticamente. Cabe a observação em cima desses atletas, em especial o Diogo.

Um time forte tem como característica o sufocar do adversário desde sua raiz, fazendo com que o adversário erre e se intimide, forçando ligações diretas. Especialmente nos jogos decisivos. Foi por aceitar passivamente o ataque dos adversários que fomos eliminados facilmente da Copa do Brasil de 2013 (mesmo com a vantagem), da Sul-Americana de 2012 e também da Libertadores de 2013. O último exemplo no Palmeiras que pressionava fortemente no ataque é o de 2008, que tinha a linha de frente com Diego Souza, Valdivia, Judas30 e Alex Mineiro. O próprio time de Felipão não tinha a característica de pressionar na linha de frente, mas possuía uma defesa sólida (enquanto o time tinha foco) e por muitas vezes se garantiu com isso.

Cabe a Kleina equacionar o problema e saber trabalhar com as características de nossos jogadores atuais, fazendo com que a capacidade de marcação aumente sem sacrificar o esquema tático. Seo Gilso, essa é a sua hora de instalar uma mentalidade vencedora nos nossos jogadores e fazer com que nosso ataque faça jus ao glorioso hino do Palmeiras, que seja uma linha atacante de raça e com qualidade.

Kardec é voluntarioso, cabe ao Kleina encaixar uma blitz nas defesas.
Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress

Kleina ficou. Oremos.

E depois de uma irritante novela que se arrastou por mais de um mês, o projeto de treinador chamado Gilson Kleina foi confirmado como o comandante que ficará na casamata alviverde durante a temporada de 2014, ano de nosso centenário. Um misto de inconformismo e desânimo tomou conta de mim na última noite de terça. Não é possível que um suposto “comandante” que fraqueja na hora de decidir seja o técnico do nosso centenário, o ano mais importante de nossa história.

Já debatemos o histórico dele e as razões pela qual ele não poderia permanecer, mas infelizmente, na noite de segunda o anúncio da permanência foi feito de maneira definitiva. Mais uma pedra pontiaguda para engolirmos.

Que Gilson Kleina é um sujeito trabalhador e bem intencionado, isso nunca duvidamos. Sempre questionamos a (falta de) capacidade dele, a falta de vontade de aniquilar um adversário e os próprios resultados. Foram 4 eliminações em mata-matas, algumas de maneira bem vergonhosa, inclusive acabando com o nosso ano já em agosto. 

Os que defendem a permanência do mesmo entoam a pergunta: “Ah, mas sairia o Kleina e quem entraria?” 

Não sei. Isso era tarefa para a diretoria analisar, especialmente se estivesse pautada em resultados, mas pelo visto, realmente ignoraram os torneios bons que disputamos esse ano e que fomos impiedosamente eliminados. Tomaram como base uma Série B na qual o Palmeiras pouco se impôs perante seus adversários – foram poucos jogos que jogamos com alguma contundência, de resto batemos o cartão de maneira maçante e até vergonhosa.

Também não sei qual critério foi utilizado para a permanência do mesmo – se é que houve algum. Como ficou evidente de que resultados ficaram em último plano ao ponderar uma renovação, tudo leva a crer que fizeram isso de maneira aleatória, como se ele fosse o último recurso disponível. Até outro técnico foi publicamente anunciado como alvo no meio dessa brincadeira (sim, esse é o termo) toda.

Gilson Kleina é o retrato da derrota e da falta de confiança do Palmeiras dentro de campo. E isso ficou ainda mais evidente após a coletiva de permanência, onde mostrou a confiança de um universitário calouro que é obrigado a fazer um seminário para veteranos e docentes. Uma lástima, mas teremos que aturar isso por mais um ano. Uma afronta para a nossa cultura palestrina, que sempre envolveu grandes comandantes que nos conduziam para as vitórias.

Resta torcer para que venham bons jogadores que deem liga para o time, mas conhecendo o modus operandi dele, não duvido nada de virem bons valores (ou não, vai saber) e o mesmo continuar sua insistência com peças do naipe de Wendel, Juninho, Ananias e Marcio Araújo como titulares.

Torceremos (ou oremos) e logicamente estaremos na arquibancada, já no dia 19 de janeiro contra a Linense, pelo Campeonato Paulista. Da minha parte, esperem mais pressão do que nunca. O centenário chegou e tudo que quero é que o Palmeiras seja vencedor de todos os torneios que disputaremos, já sofremos castigos demais nos últimos anos. Chega de mediocridade, não aguentamos mais.

Onde os fracos não tem vez

O título desse texto é também o nome de um filme lançado em 2007 (em inglês “No Country For Old Man”, mas que em português, casou melhor com a proposta do filme) com Javier Bardem, Josh Brolin e Tommy Lee Jones. Na película, havia uma lei da selva de que “apenas os fortes sobrevivem”, um código duro mas compreensível, já que a premissa é de sobrevivência. Essa metáfora pode ser aplicada facilmente na Sociedade Esportiva Palmeiras, afinal, o tempo provou que aqui não é lugar para fracos. Os altos padrões estabelecidos ao longo dos anos, tanto por técnicos quanto por jogadores, dão toda a razão do mundo para que a torcida seja exigente. O Palmeiras é para os fortes e vencedores.

Feita a introdução para o texto, digo sem sombra de dúvidas que o atual técnico, Gilson Kleina, é um dos mais fracos que já passaram pelo Palmeiras. E não foi por falta de tempo e oportunidades. Inclusive, abordamos muito do que ele fez por aqui.

Pessoalmente, não tenho nada a dizer do treinador. Realmente é um cara trabalhador, respeita a instituição e possui o carinho dos jogadores. Mas futebol é baseado em resultados e eles infelizmente não vieram. Se fosse para manter uma pessoa com essas características positivas citadas, provavelmente nosso treinador ainda seria o Caio Júnior, outro treinador bonzinho que buscava um lugar ao sol e possuía características similares ao nosso atual “comandante”, mas igualmente fraco. 

Sem nenhuma credencial anterior (Caio Júnior ainda tinha o trunfo de ter levado o Paraná para a Libertadores) e trazido muito mais na base do desespero em setembro de 2012, a missão inicial de Kleina quando chegou ao Palmeiras realmente foi ingrata: evitar um rebaixamento certo e com peças ruins e descompromissadas em meio ao caos que dominava o Palestra. Não conseguiu. Ninguém o culpou, mas alguns erros já eram bem evidentes, como escalações e substituições sem sentido – especialmente nos 3 jogos que praticamente nos jogaram para o buraco: Jd. Leonor, Coritiba e Nautico. Ainda havia a desculpa de que estava conhecendo o elenco, então foi perdoado.

Com o desastre consumado, o nome para comandar o time do acesso não tinha como ser outro a não ser Gilson Kleina. Já estava na casa e iria comandar todo o processo de reformulação. Diante do cenário de tragédia, o jeito era confiar nele, ainda que houvesse um justo “quê” de desconfiança de uma parcela da torcida.

Mas se lembram da fraqueza citada no início do texto? Ela sempre esteve estampada na testa do Gilson Kleina. Mesmo com a notória falta de opções para a montagem do time no início do ano, o treinador insistia em peças que já tínhamos pleno conhecimento da falta de capacidade e em esquemas táticos que deixavam a defesa exposta e o meio de campo estéril. Em diversos jogos vimos a fraqueza de espírito do time, que aceitava passivamente a pressão de times pequenos – tanto no Paulista, como na Série B. 

Aos trancos e barrancos, Kleina chegou aos seus testes de fogo de 2013: os mata-matas. Por definição, a lei dos mata-matas é a mesma da introdução do texto: “apenas os fortes sobrevivem”. Fortes em campo e, principalmente, fortes de espírito. Foi assim que vencemos a Copa do Brasil do ano passado. 

A falta da centelha vencedora inerente aos grandes comandantes ficou explícita em resultados. Em 4 mata-matas disputados (contando a Sul-Americana de 2012), perdeu todas. Em 3 deles, o Palmeiras tinha a dianteira para o jogo da volta mas se portou de maneira covarde, envergonhando o torcedor que nutria esperança de vencer o campeonato. Em apenas uma perdemos nos pênaltis, mas era jogo único. O mais decepcionante deles foi a decisão contra o CAP. Após vencer por 1 x 0 no Pacaembu, era só jogar o jogo da volta como Palmeiras: intimidar o time mediano, tomar as ações do jogo e fazer valer a vantagem construída. Perdemos por 3 x 0 e com o time encolhido e se portando como fosse a Ponte Preta. Nosso ano acabou de fato ao final de agosto, graças à covardia do time montado por Gilson Kleina.

Alguns podem dizer que o objetivo desse ano era a Série B. Mas o torneio eram favas contadas, bastava olhar para os outros concorrentes para perceber de imediato que ninguém ameaçaria de fato o nosso acesso – tanto que após a eliminação da Copa do Brasil, o time jogou apenas para bater cartão e ainda obteve o acesso para a primeira divisão sem sustos. Ainda assim, conseguimos ver o nosso treinador tomando nós táticos para técnicos do naipe de Geninho, Bob Fernandes e outros estrategistas do ludopédio underground. Lembrem-se, até Jair Picerni conseguiu se sobressair nesse tipo de campeonato. Não foi mérito do Gilson Kleina, mas sim do escudo poderoso que reside no lado esquerdo do peito na camisa alviverde.

A insistência em peças igualmente fracas e que tem a cara da derrota (Juninho, Marcio Araújo e, recentemente, Ananias), a inércia na beira do campo para mudar o panorama de jogos mais difíceis e a manutenção de um esquema tático previsível, que mantém o meio de campo torto, sem liga e desprotegido, irritou até o palmeirense mais paciente. As criticas deixaram de ser brandas e ponderadas, ficaram tão virulentas que hoje beira o bullying e com toda a razão do mundo. Como disse em parágrafos anteriores: o Palmeiras não é para os fracos.

Até as declarações são indignas de quem está no comando do Palmeiras. A entrevista pós-jogo após o empate de ontem contra o Paraná é emblemática: 

- O empate está de bom tamanho, e a equipe mostrou sua grandeza. 

Como assim? Contentarmo-nos com um empate? Se o comandante não tem noção da nossa grandeza, a tendência é virar presas fáceis contra adversários do mesmo nível. Foi assim com adversários menos tradicionais em mata-matas nessa esquecível temporada.

Conclusão.
O Palmeiras de 2013 foi o retrato das deficiências escancaradas do nosso atual treinador. Sem personalidade, titubeante, inerte, sem pegada, sem vontade de aniquilar o inimigo, quase sempre sem vibração e sem confiança no próprio taco. De positivo, apenas a forte ascendência sobre o grupo, que o respeita muito. Mas é pouco.

Um treinador que vislumbra longevidade nessa instituição vencedora precisa ser forte, não apenas entender o Palmeiras, mas ser um verdadeiro líder que conduza o time para as glórias, sabendo a hora de dar a estocada fatal no inimigo, com vontade de vencer, confiante e vibrante. Após tudo o que passamos em 2013, manter o Gilson Kleina para o ano do centenário será um disparate para o torcedor palestrino. 

Gilson Kleina está iniciando sua trajetória e teve seu teste de fogo na carreira nesse ano corrente. Falhou, mas torço pra que ele evolua com êxito no prosseguimento de sua carreira. Parece ser um homem ávido por conhecimento, correto e respeita as instituições que trabalha, mas ainda está verde (e infelizmente veste o nosso verde). Que ele tenha sucesso em suas empreitadas fora daqui.

Mas assim como no filme estrelado por Javier Bardem, aqui no Palmeiras, os fracos não tem vez.

Alguns poderiam dizer que ele estava contemplando vagalumes.
(Foto: divulgação/Lancenet)

Números:
Vitórias - 38
Empates - 21
Derrotas - 19

Por que o Kleina deve ficar?

Amigos, o personagem desta semana em nosso blog é Gilson Kleina. Para começar, um ótimo texto da sempre lúcida e coerente Clara Paiva. Agradecemos a amiga pela colaboração.




“O grande objetivo é subir para a série A. Sem série A, não tem centenário, Arena, uma porção de coisas.”  - José Carlos Brunoro, diretor executivo, fevereiro de 2013.
Começamos o ano nesse tom. A atual gestão, desde que assumiu a Sociedade Esportiva Palmeiras na segunda divisão do Campeonato Brasileiro, sempre declarou abertamente que o foco do ano que antecede o centenário seria voltar à elite.
Apesar de termos alcançado o objetivo com seis rodadas de antecedência e campanha invejável de 69 pontos (21 vitórias, 6 empates e 5 derrotas) em 32 jogos, o técnico Gilson Kleina continua sendo muito contestado por grande parte da torcida. O fato de termos perdido todas as decisões por mata-mata e passarmos nervoso em alguns jogos de uma Série B desqualificada, alimenta a desconfiança.
Analisando o conjunto de 2013, encontramos eliminações determinantes para a análise do atual treinador. Começamos com a eliminação do Campeonato Paulista nas quartas de finais, no confronto contra o futuro finalista, Santos. Apesar de jogarmos na Vila, da diferença técnica e de sairmos atrás no placar, arrancamos o empate na raça e levamos a classificação para a disputa de pênaltis. Bruno, que nunca defendeu uma penalidade, continuou com esse tabu e acabamos eliminados pelo time do Neymar.
Um pouco mais tarde, enfrentaríamos o Tijuana pelas oitavas de final da Libertadores. Apesar do elenco pouco qualificado, a torcida estava esperançosa após o sucesso na fase de grupos e a raça demonstrada naquela sequência de jogos. No Pacaembu, o Palmeiras precisava de uma mísera vitória simples. Tudo parecia fácil, a partida estava equilibrada até que, aos 26 minutos do primeiro tempo, o nosso péssimo goleiro (e reserva, diga-se de passagem) falhou feio e o time mexicano abriu o placar. O lance foi decisivo para o resto do jogo. Os jogadores ficaram nitidamente abalados e a torcida já via um desfecho negativo. Estava evidenciado que o trabalho feito durante a semana foi por água abaixo... E foi.
Iniciamos a “segundona”. Convenhamos que o elenco continuava nos preocupando, porém alguns reforços pontuais, como Alan Kardec, Léo Gago, Leandro e Tiago Alves, melhoraram o grupo. Dessa forma, havia material para o Kleina trabalhar, ou seja, seria coerente exigir melhor desempenho.
Mais uma decisão: Palmeiras x Atlético-PR pela Copa do Brasil. Fomos eliminados de forma vexatória. A postura do grupo foi vergonhosa: estavam apáticos. Dessa vez, o técnico tinha grande responsabilidade, mas a diretoria também. Imagino para um treinador, à véspera de um mata-mata e com elenco limitado, como é receber a notícia de que uma peça importante está sendo negociada. O que fazer? Isolar o jogador e colocar o reserva bem abaixo tecnicamente? Tentar manter a concentração do time? Enfim, a atitude tomada foi a mesma que eu tomaria: manteve a equipe. Indiscutivelmente, resultou na “vergonha do ano”. Ponto negativo para todos, sem exceção.
Períodos de dúvida, confiança, revolta e preocupação se passaram, mas hoje podemos dizer que a missão foi cumprida. Estamos de volta à Série A. O comandante soube administrar os poucos altos e vários baixos, e atingiu o objetivo declarado pela diretoria.
            Agora vivemos a ladainha: Kleina deve ou não ser o técnico de 2014? Vale lembrar que o mercado se movimentou muito esse ano com nomes como Luxemburgo, Paulo Autuori, Ney Franco, Dunga, Mano Menezes, Muricy, Celso Roth e Abel Braga. A partir disso, podemos concluir que a experiência, altos salários e currículo não estão em alta no futebol brasileiro. A visão tática padronizada implica num péssimo custo benefício e já não oxigena as apresentações nos gramados. Já a busca por um estrangeiro, implica numa lenta adaptação (língua, cultura, comportamento dos jogadores e diretoria, arbitragem e etc).
            No atual cenário, considero muito mais benéfico manter um treinador honesto (isento de esquemas típicos do futebol que temos), transparente, trabalhador, que tem o grupo fechado, que valoriza a instituição e que amadureceu junto com todos após um doloroso rebaixamento e um ano de renovação. Claro, isso não é o bastante. Além do comandante, é mais do que necessária contratações pontuais que enriqueçam a base do elenco que já temos. Afinal, não se faz omelete sem ovos.
            Após longa análise, concordo com Marcos, Ademir da Guia e Edmundo... #FICAKLEINA.



Clara Paiva, 17 anos. Vive em um relacionamento sério com Palmeiras que inclui discussões, cornetagem, comemoração e muita felicidade.
TWITTER: @ClaraPaivasep





Um ano de Gilson Kleina e sua radiografia

Gilson Kleina, o presuntinho do Palestra.
Fernando Dantas/Gazeta Press

E o atual treinador – se é que podemos o chamar assim – do Palmeiras completou 1 ano de comando nessa quinta-feira. Como ele é o atual comandante, cabe fazer uma análise sobre o período em que ele esteve em nossa casamata. 

Gilson Kleina veio para o Palmeiras na metade de setembro de 2012, no lugar do general Felipão e sem nenhum referencial anterior que o credenciasse a assumir um clube de magnitude como o nosso. O destaque que ele vinha tendo era graças à campanha mediana da Ponte Preta, que havia conseguido o acesso para a primeira divisão na temporada anterior e cujo objetivo era apenas não cair de volta.

O restante de 2012
Sem muito a perder, Kleina assumiu o Palmeiras antes do jogo contra o Figueirense, na 26ª rodada. Com 6 pontos atrás do último colocado fora da zona de rebaixamento, a situação era desesperadora, mas nas duas primeiras partidas o time esboçou uma reação interessante, vencendo, jogando bem e dando novas esperanças de que não cairíamos. Simultaneamente, ainda estávamos vivos na Copa Sul-Americana e conseguimos um bom 3 x 1 em cima do Milionários, uma interessante vantagem para o jogo da volta.

Kleina, porém, mostrou ser inapto já em seu primeiro clássico, no qual perdemos por 3 x 0 para o SPFC e no qual ele escalou um time pesado e sem armação. A falta de conhecimento do elenco, somado com os desfalques e com a banda podre baladeira nos jogou em um abismo profundo nas partidas seguintes (derrotas para Coritiba e Nautico). O rebaixamento parecia inevitável naquela altura do campeonato.

Foi ai que ele fez o que todos queriam que o Felipão fizesse: lançou os garotos. João Denoni e Patrick Vieira foram os mais proeminentes. Por mais que eles demonstrassem personalidade e mais futebol do que quase todo o elenco, era tarde demais e a impressão passada é que eles foram jogados aos leões. Até vencemos as partidas seguintes contra Bahia e Cruzeiro, mas sem eles e com uma escalação torta, fomos eliminados de maneira vergonhosa contra o Milionários, na Colômbia. A primeira eliminação dele e por culpa do mesmo, que levou um time desinteressado - só isso explica Daniel Carvalho e Patrik naquela partida. O resultado do fim do ano sabemos: fomos rebaixados com requintes de crueldade e sequer pudemos resgatar um pouco da honra ao sermos eliminados de maneira vexatória no torneio paralelo. 

Fim de ano e depressão completa no Palmeiras. Mais de 20 atletas foram dispensados e apenas 2 contratados. Apesar do perigoso precedente covarde mostrado no jogo contra o Milionários, sabíamos que ele não poderia fazer muito para evitar a queda. A princípio, ele seria o comandante para 2013.

O início de 2013
Com o elenco retalhado e desmotivado, restava fazer omeletes com poucos ovos. Mas mesmo com poucas opções, ele resolvia optar pelas piores escolhas já nos primeiros jogos, como os buracos deixados na defesa, a volta dos atacantes para buscar a bola e com a insistência em Marcio Araújo (que nem deveria estar mais no clube) em detrimento do João Denoni, que havia demonstrado muita qualidade e personalidade nos jogos finais de 2012.

Mesmo assim, sabíamos que o time vinha sendo montados aos poucos e que provavelmente não seria no primeiro semestre que veríamos algum resultado. Com isso, o time foi se acertando gradativamente e, aos trancos e barrancos, conseguiu desempenhar uma campanha razoável no Paulista (apesar do desastre em Mirassol) e bons jogos na Libertadores. 

Infelizmente, as escolhas erradas do treineiro nos deixou em maus lençóis em ambos os torneios. No Paulista, ele insistiu em escalar Wesley fora de posição, jogava geralmente com 4 volantes e a cobertura continuava capenga. Perdemos nos pênaltis para um Santos decadente. 

Na Libertadores a culpa não foi exclusiva dele, afinal, o frango sofrido pelo Bruno implodiu o ânimo do resto do time, mas como treinador, cabe a ele inflamar a equipe para reações. Não aconteceu e era algo que continuou nos incomodando quando a série B se iniciou: o time não esboçava reação. Era sem alma, sem contundência e aceitava passivamente a situação vivida. Uma troca de treinadores na pausa para a Copa das Confederações era mais do que justa: era necessária.

A segunda metade de 2013 – Hoje
E vieram bons reforços pontuais na pausa para o torneio de seleções. Se antes Gilson Kleina reclamava da falta de opções, após a parada ele obteve um leque maior. Infelizmente vimos ele realizar escolhas erradas assim que voltou, ao liberar João Denoni e, principalmente, Patrick Vieira, que é uma opção muito mais aguda do que Serginho, Ronny, Ananias e Felipe Menezes. Acima de tudo, foi uma ingratidão com dois jovens que seguraram um rojão que veteranos não fizeram nos momentos de dificuldade.

Ainda assim, a esperança permanecia intacta para a Copa do Brasil e para o rápido acesso de volta para a série A. E foi ai que os defeitos do treinador ficaram mais evidentes do que nunca.

Saltou de vez aos olhos a insistência em peças que não servem para nada no elenco e que mais soam como provocação a torcida (Marcio Araújo e Juninho), a falta de visão e ambição durante uma partida, esquemas esburacados e a falta de motivação do time em diversos jogos. Isso resultou em uma eliminação dolorida na Copa do Brasil (único torneio que possibilitava disputar a libertadores no centenário) com uma partida extremamente covarde contra o mediano CAP. 

Graças a essa eliminação, o restante do ano está sendo meramente protocolar, para cumprir tabela, já que os times não ameaçam o acesso do Palmeiras. Partidas sem inspiração e sem vontade deram a tônica na maioria das vezes.

Veredicto
Hoje, é quase unanimidade entre os torcedores que Gilson Kleina não serve para o Palmeiras. E não foi por falta de chances. Entendemos que não havia muito a se fazer em 2012 – exceto, talvez, a Sul-Americana – mas em 2013 era para mostrar resultados. As peças foram chegando e o que foi mostrado pouco se assemelhou a um time de futebol. O entrosamento inexiste mesmo com peças jogando juntas a meses e ele não parece nem um pouco inclinado a reverter essa tendência.

Até o final do ano não tem jeito e ele será o treinador do acesso, mas para 2014 um novo técnico tem que ser prioridade nas discussões de planejamento. Outro ano com esquemas covardes, insistências descabidas, com times desmotivados e buracos na defesa, é inadmissível.

Quanto ao Gilson Kleina, aparenta ser uma pessoa trabalhadora e honesta e até por isso o desejo sucesso em sua jornada, mas não serve como treinador de um time centenário e vitorioso como o Palmeiras. As ambições daqui são outras e o trabalho do Kleina não cabe nesse ambiente. 

Portanto, termino o texto com o que falamos há meses: #ForaKleina.

Gilson Kleina no Palmeiras: Deve ou não ficar?


Hoje, o convidado especial Miguel Lima (@Miguellima7) que irá comentar o Kleina como técnico do Palmeiras:


Gilson Kleina estreou no Palmeiras com a árdua missão de tirar o time do rebaixamento, algo que para mim, olhando friamente hoje acho que seria algo inevitável, tamanho caos estávamos. Pois bem, seus resultados em 2012 foram os seguintes:


Novamente digo, acho que o descenso era algo praticamente inevitável, tamanha zona que estava o clube com Tirone e Cia, o analiso  nesses 13 jogos do campeonato brasileiro de 2012 ele tentou de todas as maneiras realmente tentar reverter a  situação que incomoda do Palmeiras, apostou na garotada da base, onde pudemos ver bons garotos como o Patrick Vieira e Joao Denoni, deixou o Araujo no banco alguns jogos, por ter melhores opções no banco de reserva... Talvez isso tenha sido um dos fatores de não termos pegado tanto no pé da comissão técnica na época.
Mas aí já podemos ver um dos principais pontos negativos do Kleina, na Sul-Americana ganhamos o primeiro jogo contra o Millonarios por 3 x 1 no Pacaembu, fomos a Colômbia com o resultado praticamente garantido e fizemos o mais difícil, que foi perder para um time tão ruim quanto o nosso e praticamente assistimos de camarote a vitória deles, eu lembro que após esse jogo o argentino Barcos ficou revoltado com tal situação, disse que não estava no time para passar vergonha... Com isso, já podemos ver o quão fraco que o técnico é nos torneios mata a mata.
Veio 2013, com toda a zona política no time, entre cagadas do Tirone e Cia e contratações barradas pelo COF começamos a temporada, foram os seguintes resultados até o fim do primeiro semestre:


Fizemos um campeonato Paulista bom, com resultados suficientes para nos classificar para segunda fase, mas novamente fomos eliminado em um mata-mata, desta vez pelo Santos nos pênaltis.
Na libertadores fizemos uma excelente campanha,  jogando em casa apenas, foram 3 vitorias em três jogos, jogando fora perdemos os três, e o pior, não marcamos sequer um gol nestes três jogos. Passamos de fase e fomos enfrentar o Tijuana no México, fizemos um bom resultado no primeiro jogo, pois não levamos nenhum gol na casa deles, dado todas as circunstancias do, em contrapartida também não fizemos nenhum. Trouxemos o jogo para São Paulo e novamente fomos eliminados em um mata-mata, nosso poder de reação naquele jogo foi nulo e a sina de que o Kleina não consegue fazer o time reverter o resultado contra times mais fortes prevaleceu.
Ontem (28), fomos eliminados pela quarta vez em um torneio mata-mata que disputamos com o Gilson Kleina sendo técnico em menos de um ano, não consegui assistir ao jogo inteiro, assisti apenas o segundo tempo e os melhores momentos após a partida, mas o que posso falar é que não há mais condições, em minha opinião, de continuarmos com este técnico em nosso time. Estamos lideres isolados na série B, apenas porque temos um time disparado melhor tecnicamente e fisicamente para com nossos adversários, o que não seria mais que nossa obrigação. O Kleina insiste em um esquema de três volantes que só funciona bem quando o Valdivia joga (o que é a coisa mais rara que existe), o time não pode jogar apenas com um esquema baseado em um jogador, tem que ter mais opções. Além da insistência em um esquema tático que não funciona, vejo muitos reclamando que temos opções boas no banco e o técnico não os coloca para jogar, temos um primeiro volante que faz parte da Seleção Uruguaia que não consegue jogar porque o Kleina prefere improvisar o Marcio Araújo em tal posição, jogadores que vieram após terem feito um bom campeonato Paulista e que pouco jogam – vide Serginho, Tiago Alves... Agora é hora de pensar, este técnico é o que queremos e o que a Diretoria irá apostar para o nosso centenário? Já não temos mais pretensões nesta temporada, a não ser é claro subir para primeira divisão o quanto antes. Uma mudança de técnico agora, não seria apenas o necessário para este ano, mas sim um planejamento já para o ano que vem, para começar 2014 com o técnico que realmente ficará para o centenário, e para que o mesmo junto com a diretoria já comecem a formar o time que irão utilizar na próxima temporada.Abel Braga, Ney Franco, Bielsa, Luxemburgo... Quais opções temos? Muitas dúvidas, mas a única certeza é que precisamos de mudança na comissão técnica urgente!




Miguel Lima, formado em Administração, Consultor de Empresas e um músico meia boca. Palmeiras para mim não é apenas distração ou passatempo, faz parte da minha vida por 24hs, sou apenas mais um torcedor de sofá, não amo mais nem menos o Palmeiras que você. 

Twitter: @Miguellima7