A hora da verdade

A fase de classificação do Paulista-14 chegou ao seu momento final. Após 11 vitórias, 2 empates e apenas uma derrota (em um jogo marcado por diversos desfalques e falhas individuais), entramos na última rodada com a melhor campanha da fase de classificação e teremos nosso terceiro teste de fogo no campeonato, contra o Santos, que possui a segunda melhor campanha e o melhor ataque da competição.

Especificamente falando, esse jogo contra o Santos define apenas o primeiro colocado geral na fase de classificação. Como estamos dois pontos à frente, temos a vantagem do empate, mas como teremos o time completo, queremos a vitória e um bom desempenho – mesmo não sendo garantia de nada na hora do mata-mata.

Mas o que importa mesmo são os jogos decisivos e durante a semana que está chegando (ainda sem data e horários definidos) teremos o primeiro duelo decisivo, contra Bragantino ou Rio Claro. E aqui a história começa a ganhar contornos completamente diferentes do que vimos até então, não é mais um jogo onde o técnico pode poupar energias para o jogo seguinte visando o próximo embate, onde em momentos do prélio o time era mais permissivo com o adversário – contra a Lusa foi assim, perdemos a chance de matar o jogo e o nome do jogo foi Fernando Prass. 

Apesar de termos mais de 13 pontos de vantagem para o segundo colocado do nosso grupo, isso acaba sendo completamente esquecido no mata-mata se o time não entrar com a intensidade e a seriedade que a partida exige. Jogaremos em casa nesse primeiro jogo (e também nas semifinais, caso concretizemos a vitória) e com o apoio da torcida, o que será um combustível a mais nessa caminhada rumo ao título. 

Como esse campeonato está com o calendário espremido, caso avancemos para as semifinais, essas se passarão já no próximo fim de semana e há a possibilidade de termos um choque-rei. Caso passemos (é obrigação passar de Bragantino ou Rio Claro, que isso fique cristalino) e venha o time do Jd. Leonor, tudo o que pedimos é que entrem com o mesmo espírito de guerra que entraram no jogo da fase de classificação e com uma dose extra de foco, já que estamos falando de jogos eliminatórios. Se vier o Botafogo-SP, que o time observe bem onde errou no jogo de classificação que nos custou a primeira (e até então única) derrota do ano e explore sem dó os pontos fracos do time de Ribeirão Preto.

Por fim, o provável finalista será o Santos. Embora queremos a vitória, o jogo de amanhã não pode ser considerado um parâmetro para os jogos derradeiros em caso de nos encontrarmos novamente. 

Gilson Kleina, essa é a hora da verdade, esse é o momento em que você deve começar a ganhar seus primeiros jogos eliminatórios pelo Palmeiras em quase 2 anos que você está por aqui. Deixaremos de lado o jeito ridículo que o time se portou em todas as outras decisões comandadas pelo senhor e focaremos no que virá pela frente a partir de agora. Essa é a hora em que separamos os meninos dos homens e os fracos dos fortes. Você tem 4 jogos para provar que é merecedor de estar na casamata alviverde e estamos torcendo para que você seja o grande comandante do primeiro título do novo século de nossas vidas.

A ansiedade para o primeiro jogo decisivo já é alta. Para se ter uma ideia, mesmo sem data e adversário definido, a torcida já vem comprando ingressos para a partida, demonstrando uma prova de amor ímpar – não lembro de nenhum precedente sobre compra de ingressos para jogos contra adversários que sequer conhecemos e sem saber dias e horários.

E que venham as primeiras decisões do centenário, seja lá quem for entrar em campo: honrem nossa camisa e nossa história. 

Avanti Palestra!

Está nas suas mãos, faça esse time voar nas decisões.
Foto: Reginaldo Castro/Gazetapress

Retomando a rota

Novamente, o nome do jogo.
Foto:  Miguel Schincariol/Agência Estado

Após perdermos a invencibilidade no último domingo, o Palmeiras entrou em campo nessa noite com os retornos de Wesley e Alan Kardec. A postura em campo também foi bem diferente do que tivemos nos últimos jogos e não tivemos nenhum susto. A classificação para as quartas e na primeira colocação do grupo parece questão de tempo. Começamos bem o terço final da fase de classificação.

Sabendo que o oponente tinha a melhor defesa do campeonato até o momento (6 gols tomados até o jogo), a expectativa era de que o São Bernardo travasse o meio de campo e que o jogo fosse truncado. Mas não foi isso que vimos. Mesmo com o Palmeiras tentando passes de longa distância nos primeiros minutos, o time do ABC não demonstrava nenhuma força – nem defensiva e nem ofensiva. 

Sem forçar muito, o Palmeiras passou a criar chances mais agudas com o tempo. Primeiro com a tabela entre Valdivia e Marquinhos Gabriel, cuja conclusão do ultimo saiu pela linha de fundo. Depois, Vinicius fez uma rara boa jogada ao inverter a bola para Marquinhos Gabriel, que enxergou Wendel flutuando pela direita, tocou e nosso camisa 13 cruzou na medida para Alan Kardec marcar seu sexto gol no campeonato. 1 x 0 e tudo indicava que faríamos mais gols.

Ainda no primeiro tempo, o Palmeiras quase ampliou em uma cobrança de falta onde Lucio cabeceou e o goleiro deles fez uma ótima defesa. No rebote, Kardec também cabeceou em cima da defesa, que rechaçou em cima da linha. Uma pena que o gol não tenha saído nessa jogada. Os poucos chutes do São Bernardo no primeiro tempo foram de fora da área e em todos os arremates, o nosso arqueiro Fernando Prass esteve lá.

Com a vantagem, o Palmeiras voltou do intervalo dosando o ritmo e sofreu um início de pressão, mas não demorou muito e aos 10 minutos o Palmeiras ampliou o placar com boa troca de passes que culminou no gol de Valdivia – que não fazia uma boa partida, mas fez um gol importante.

Após o segundo gol, o Palmeiras pisou no freio de vez e só jogou na base do contra ataque. Até algumas chances de ampliar e, pela primeira vez na temporada, testou Patrick Vieira, que fez uma boa partida enquanto esteve em campo e mostrou que pode ser bem mais útil do que outras opções já testadas, como Mazinho, Serginho e o próprio Vinicius, que foi o substituído da noite. Valdivia também aproveitou e tomou o terceiro cartão, suspendendo de uma partida na qual ele não jogaria de qualquer jeito por estar a serviço da seleção chilena. 

Foi uma bela vitória em uma noite gostosa na capital paulistana. O time mostrou que não sentiu o abalo do revés do fim de semana e voltou a convencer em um momento importante do campeonato. Resta a Kleina fazer os ajustes finais nesses jogos que restam para que o time entre voando na fase de mata-mata. Estamos todos babando pelo título.

Avanti Palestra!

Notas: As notas de hoje foram dadas por Marcus, Thiago e Ariane. Para nós, houve um empate entre o melhor em campo: Kardec resolveu na frente e Prass segurou o necessário lá atrás. O pior em campo foi o Vinicius, mas não necessariamente por ter feito uma partida ruim (inclusive, participou bem no primeiro gol), mas por não estar em sintonia com os demais. 


Cartas na manga e mudança de postura.

Por ser início de temporada, talvez seja muito cedo para falar que hoje somos favoritos aos títulos, ainda mais se levarmos em consideração o histórico de largadas em anos anteriores, que definitivamente nos deixou mais escolados e cautelosos. Mas esse início de ano alviverde com seis vitórias consecutivas, quase todas de maneira convincente – especialmente no clássico contra o SPFC no último domingo - deu um novo ânimo para todos os palmeirenses do mundo, especialmente após temporadas tão ruins como foram as anteriores. 

Mas o que temos de diferente em relação ao time que finalizou a temporada de 2013 de maneira burocrática e que não se impunha em relação ao adversário? Novas cartas na manga dentro do elenco e que podem mudar o panorama de uma partida com diferentes variações táticas durante o jogo e uma nova postura, a mais agressiva desde o time do primeiro semestre de 2008, uma postura que não tínhamos visto com o então treinador Gilson Kleina. Isso sem contar a própria atmosfera do Palmeiras, que ficou positiva. Hoje até a mesmo a imprensa, uma inimiga ferrenha, passou a nos tratar com mais respeito.

Vamos aprofundar esses dois primeiros itens que fazem parte do tema central da postagem.

As cartas na manga:
Se durante a Série B perdíamos muito em qualidade com a ausência de jogadores no elenco, nesse início de ano vimos por mais de uma vez a solução de uma partida sair do banco de reservas. Contra o Atlético de Sorocaba e Penapolense, vimos a entrada de Marquinhos Gabriel ser decisiva para que o Palmeiras obtivesse os três pontos. Contra o XV de Piracicaba, o gol da vitória passou pelos pés de dois substitutos: Mendieta e França – sendo que este entrou para segurar a pressão do time da casa, obteve êxito na tarefa e ainda surgiu como elemento surpresa no ataque. 

Pela primeira vez em anos temos opções para realizar mudanças de panoramas na partida e mesmo mudar a escalação antes de um jogo antes que o time fique manjado pelo oponente. E ainda temos jogadores para estrear, como Victorino, Bruno Cesar, Gabriel Dias, Patrick Vieira, Rodolfo e mesmo William Matheus, que jogou apenas 20 minutos contra o Comercial. Josimar, volante que veio do Inter, é outro que chegou para ser opção de segundo volante na reserva de Wesley e apesar de parte da torcida ter um pé atrás com ele pela não vinda em 2013 (inclusive este que vos escreve), soa como um backup interessante.

A lateral direita ainda precisa de ajustes – por mais que Wendel tenha feito partidas acima da média, ainda temos o medo de que esse bom momento dele seja efêmero – e o ataque continua sem substitutos para Alan Kardec caso precisemos (a outra opção de atacante fixo no elenco se chama Miguel). 

Com essa nova gama de jogadores, as opções consideradas “intragáveis” que sobreviveram ao facão do ano passado e que ainda estão no elenco, já não são mais tão utilizadas. Felipe Menezes entrou em apenas duas partidas, Vinicius em apenas uma e Serginho perdeu espaço após duas partidas como titular. 

Vale também a observação que em nenhum desses momentos o Palmeiras entrou com força máxima, nem mesmo no clássico contra o SPFC. Mas mesmo que o Palmeiras use seu poder de fogo por completo em sua escalação titular, ainda é possível vislumbrar essas cartas na manga que são capazes de mudar a partida.

Mudança de postura:
O Palmeiras está mais agressivo, algo que cobrávamos antes mesmo do campeonato começar. Por mais que o time não tenha jogado com sua força máxima, é possível observar que a postura do time mudou e isso ficou acentuado em algumas partidas, como contra Penapolense e SPFC, onde o time fez algo que não fazia há anos: marcar a saída de bola do adversário, sufocando o oponente já no campo de defesa e tirando as chances de ataque e pegando o oponente com a defesa desarrumada.

Essa pressão no campo de ataque permite com que a dupla de volantes fique mais sólida (exceção feita ao jogo de quarta, onde Wesley dormiu em campo) e consequentemente a defesa não tome tantos sustos. Com isso, hoje temos a melhor defesa do campeonato com apenas três gols sofridos (sendo que dois deles foram da famosa síndrome de “ex-palmeirense marca contra”, embora isso não tenha relação alguma com táticas). 

Outro ponto importante está em como o time se porta com a bola nos pés. Hoje também é possível ver que o time evita as ligações diretas e trabalha melhor a bola, procurando sempre o companheiro melhor posicionado e priorizando as tabelas. Se antes tínhamos um irritante festival de chutões a esmo e chuveirinhos desnecessários que invariavelmente terminavam com o zagueiro rechaçando a bola, hoje isso foi reduzido a quase zero. 


Essa mudança de postura do time e a obediência tática dos jogadores são méritos de Gilson Kleina. Com exceção dos jogos contra Comercial (onde o time dormiu no segundo tempo) e XV de Piracicaba, o treinador foi muito bem na proposta do time e nas alterações durante a partida, sobretudo no último domingo ao trucar Muricy com um casal Zap e Copas – tomaram um baile e 2 x 0 ficou muito barato.

Já o critiquei muito durante 2013, mas nesses jogos iniciais ele vem fazendo por merecer uma trégua e até elogios. Sim, ele ainda insiste com peças que todos sabem que não funciona (Mazinho não mostra nada que o credencie a titularidade absoluta) e por vezes demora em realizar a alteração – quarta foi por pouco. Às vezes fico com a impressão de que ele está escondendo o jogo para os jogos mais difíceis, clássicos e fases decisivas. Não tem como saber, mas que esse início de ano com seis vitórias e com o time convencendo está animador, isso está.

Claro, ele ainda tem muito que provar. O próximo teste de fogo é um dérbi (jogo que não vencemos desde agosto de 2011) e por mais que a fase de nossos rivais esteja ruim, ainda é um jogo que devemos entrar com muita seriedade, ainda mais porque não os vencemos no Pacaembu há muito tempo. E tem também as fases decisivas – todas que ele disputou com o Palmeiras até o momento foram tremendos fiascos. Mas dessa vez ele tem peças bem melhores do que as disponíveis em jornadas anteriores e parece que ele está mais calculista, algo imprescindível para treinadores.

Kleina, a faca e o queijo estão em suas mãos. Começou bem e vem merecendo elogios, termine de maneira excelente e será eterno.

Kleinismo surtindo efeito?
Foto: Reginaldo Castro / Gazeta Press

Foi dada a largada para o Paulistão 2014



Um sorteio na sede da FPF na tarde desta quarta-feira (30) começou a revelar a cara do Campeonato Paulista de 2014, o primeiro de 3 títulos que tentaremos conquistar no ano de nosso centenário. Devido ao movimento Bom Senso FC, foram suprimidas quatro datas, assim a primeira fase, que tinha 19 rodadas, terá apenas 15 no ano que vem. À primeira vista, o regulamento parece esdrúxulo, mas uma análise um pouco mais criteriosa revela alguns dos motivos para a elaboração de um regulamento tão inédito quanto inusitado. Em linhas gerais, o torneio será disputado da seguinte forma:
- quatro grupos com cinco equipes em cada, e os quatro grandes estarão um em cada grupo;
- todos jogam contra todos, MENOS contra os times do próprio grupo - é este item que faz o regulamento ser esquisito
- classificam-se para as quartas-de-final os dois primeiros de cada grupo, que se enfrentarão dentro de cada grupo, em jogo único, com mando do campeão do grupo;
- semifinais também em jogo único, e final em ida e volta;
- os quatro piores, independente do grupo em que se encontrem, serão rebaixados.

Está fórmula traz a possibilidade de haver situações ridículas, apesar de serem muito improváveis. Por exemplo, se todos os times de um grupo vencerem todos os seus jogos, três times serão eliminados com 100% de aproveitamento. Por outro lado, se todos os times de um grupo forem muito mal, um time pode ficar entre os 4 piores do campeonato, e mesmo assim ficar em 2º em seu grupo, nesse caso ele estaria, ao mesmo tempo, classificado para as quartas-de-final e rebaixado. Apesar de pouquíssimo provável, está possibilidade está prevista em regulamento, e esse time seria beneficiado com a classificação para a fase seguinte, e o 5º pior (portanto com melhor campanha) seria rebaixado. São situações patéticas às quais o regulamento abre margem, mas sejamos razoáveis: é muito, mas muito difícil que aconteçam na prática. 

Outro aspecto nonsense é que os times que disputam uma mesma vaga em nenhum momento se enfrentarão. Assim, a partir do momento em que um time abrir vantagem sobre outro, ao time que estará atrás restará a opção de torcer contra o adversário, já que não haverá o confronto direto para reverter a desvantagem. 

Por outro lado, temos as vantagens de um regulamento tão estranho:
- os clássicos estão preservados, todos eles ocorrerão durante a fase de classificação;
- foi eliminada a possibilidade de os grandes se enfrentarem nas quartas-de-final, como vem acontecendo nos últimos anos. Assim, se os quatro grandes fizerem a sua parte (ficar em 1º ou 2º na fase de grupos e vencer o adversário das quartas-de-final), as semifinais serão disputadas por eles. Provavelmente, esta é a explicação que dá sentido a toda essa bagunça do regulamento, o que, com certeza, será negado até a morte pelos dirigentes da FPF. 


OS GRUPOS


O sorteio dos grupos foi imensamente favorável, como detalharemos abaixo, a SCCP e SPFC. O SFC caiu em um grupo que, com um pouco de exagero, podemos até chamar de "Grupo da Morte". O Palmeiras acabou ficando em uma situação intermediária. 


Grupo A
SPFC, os bambis de Jd. Leonor
Penapolense, o time da Sabrina Sato
Linense, o Elefante
Atlético Sorocaba, o time do Reverendo Moon
Comercial, o Leão do Norte

Grupo B
SCCP, o Small Club, a Ponte Preta de Itaquera
Botafogo, o Pantera
XV de Piracicaba, o Nhô Quim
Ituano, o Galo de Itu
Grêmio Osasco/Audax, o GEO

Grupo C
SFC, o caseiro de nossa casa de praia
Ponte Preta, a Macaca
São Bernardo, o Bernô
Paulista, o Galo do Japi
Portuguesa, a minúscula Lusinha

Grupo D
Palmeiras, o Campeão do Século XX
Bragantino, o Braga do Nabi, Nabi é Braga
Mogi Mirim, o Sapão
Oeste, o Rubrão
Rio Claro, o Azulão que não é o São Caetano




O INTERESSE


Muito tem sido discutido nos últimos sobre o decrescente interesse despertado pelo Campeonato Paulista e pelos Estaduais em geral. Entendo que a maior culpa é dela, a grande chefe do futebol no Brasil, a Rede Globo de Televisão. Vejamos: até a década de 90, os Estaduais eram disputados em metade do ano, e o Campeonato Brasileiro na outra metade. Ou seja, em 50% do ano, a Globo era obrigada a dar destaque não só aos grandes, mas também a times como Ponte Preta, Ituano, Caldense, Juventude, Volta Redonda, Londrina, Tupi, Americano, Mogi Mirim, etc. E na outra metade, mostrava clássicos entre os grandes de estados diferentes. Ao perceber qual era o tipo de transmissão mais rentável, a Globo decidiu que era hora de privilegiar a competição nacional e estrangular os Estaduais. Com isso, os times do interior passaram a ter um campeonato de bom nível apenas durante parte do primeiro semestre, entraram em apuros financeiros, não conseguem mais montar boas equipes, e nem fazer frente aos grandes. E os Estaduais deixaram de ser campeonatos bons e equilibrados. 
Outra razão do desinteresse é a derrocada de equipes tradicionais e com torcidas apaixonadas e leais no interior do Estado. No Paulista/14, teremos apenas cinco equipes realmente tradicionais entre os 15 do interior: Comercial no Grupo A, Botafogo e XV de Piracicaba no B, Ponte Preta e Paulista no C.
Não haverá Guarani, Juventus, São José, São Bento, América, Noroeste, Marília, Taubaté, Ferroviária... Esperamos que um dia todos esses times possam voltar a disputar a série A1 juntos. Hoje temos os quatro grandes, a Portuguesa e os cinco tradicionais citados acima. 
Dos outros dez times, três são remanescentes da geração de times que cresceram a partir da década de 80, e que tinha clubes que não conseguiram se sustentar na elite do futebol paulista, como União São João, Santo André, Rio Branco, Inter de Limeira, Araçatuba, Taquaritinga, Matonense, Novorizontino, XV de Jaú e, mais recentemente, São Caetano e Guaratinguetá. Os três "sobreviventes" - Ituano, Mogi Mirim e Bragantino - estão conseguindo se manter há mais tempo e criar já uma certa tradição, podendo talvez daqui a algumas décadas serem considerados times realmente tradicionais e indispensáveis ao futebol paulista. 
Quanto aos outros sete times - Penapolense, Linense, Atlético Sorocaba, Grêmio Osasco/Audax, São Bernardo, Oeste e Rio Claro - não há muita esperança de um futuro promissor. O Atlético Sorocaba é um time de empresários que deseja tomar o lugar do verdadeiro time da cidade, o São Bento. O mesmo ocorre com o Rio Claro em relação ao Velo Clube. Audax e São Bernardo são clubes-empresa muito recentes, sem torcida e visando somente lucro. Já Penapolense, Linense e Oeste têm seus méritos, mas são de cidades pequenas e sem tradição no futebol, de forma que dificilmente conseguirão se manter, e em poucos anos terão o mesmo destino de equipes com trajetórias muito parecidas, como Taquaritinga, Matonense, Sertãozinho e Catanduvense. 



O NÍVEL

A exemplo do que vem acontecendo há alguns anos, é irreal acreditar em alguma surpresa. O título ficará com um dos quatro grandes, com a única possibilidade de surpresa sendo a Ponte Preta alcançar a semifinal ou, com muita competência e um pouco de sorte, a final. Nem a Portuguesa parece ser candidata a almejar algo nesse campeonato, mesmo porque o sorteio a colocou no mesmo grupo de Santos e Ponte, e assim a Lusa é séria candidata, ao lado da própria Ponte, a ser eliminada ainda na primeira fase. Uma das duas obrigatoriamente vai cair fora. Muitos argumentarão que a Lusa faz melhor campanha que a Ponte no Brasileiro. No entanto, historicamente a Portuguesa se dá muito mal contra times pequenos no Paulistão. Ainda em 2013, disputou a série A2 do campeonato, por ter sido rebaixada em 2012, e tomou 7x0 do Comercial já na fase final. Ainda teve tempo de se recuperar e conquistar o título, mas a Ponte tem mais torcida, mais estrutura e até mais respeito por parte das equipes pequenas, por isso acredito mais na Ponte do que na Portuguesa. Mesmo assim, nada indica que alguma delas tenha chances nesse campeonato. O campeão será um dos quatro que todos já sabem. Obra da famigerada Rede Globo, como já explicado acima. 
Quanto aos times do interior, nenhuma análise é possível ainda. Esses clubes começam a montar seus grupos em novembro. No início de dezembro o elenco é fechado para início dos treinamentos e preparação para o campeonato. Mas, quase sempre, duas ou três derrotas seguidas são suficientes para o clube dispensar metade do time titular e contratar novos jogadores buscando uma recuperação. Por isso, neste momento não é possível ter a mínima ideia sobre como serão os times, quem pode dar mais trabalho ou quem briga para não cair. O que podemos antecipar é que os times que disputaram campeonatos de bom nível até o fim de 2013 possuem mais chances de conseguir manter a base e, assim, ter melhor presença no Paulistão. Dois desses times estão no grupo do Santos - Ponte Preta e Portuguesa. Outros três estão no grupo do Palmeiras: Oeste, Mogi e Bragantino. Bambis e Gambás, como sempre têm vida fácil, foram favorecidos no sorteio e só têm em seus grupos times que serão montados agora, sem sequência, sem base. Isso não tem a menor importância na primeira fase, mas nas quartas-de-final, onde os adversários vêm do próprio grupo e existe a chance de surpresa devido ao jogo único, será uma grande ajuda aos nossos rivais e inimigos. 

Que venha o Paulistão/2014. Certamente estará ofuscado por ser um ano de Copa do Mundo em nosso país. Mas todos sabemos que essa mesma Copa é apenas parte das comemorações pelo centenário do maior clube do Brasil, então o Palmeiras tem que ter foco nessa conquista. Vejam o nível dos reais adversários, todos eles com campanhas pífias no campeonato brasileiro. Mantendo a base, reforçando os setores mais carentes, e - por favor - trocando o treinador, temos muitas chances de copar esse título. O título paulista no ano do centenário seria muito festejado por toda nossa torcida (pelo menos acreditamos nisso) e traria muita tranquilidade ao elenco e comissão técnica para buscarem no mínimo mais um título, sem tanta pressão e sem a faca no pescoço. É isso que esperamos, e a largada já foi dada. Avanti, Palestra!!!!